





06 maio, 2006
E o Rubinho tá com a batata assando...
Honda questiona e pressiona Barrichello
Insatisfeita com brasileiro, montadora cogitou trocá-lo pelo inglês Anthony Davidson, seu piloto de testes
Honda questiona e pressiona Barrichello
FÁBIO SEIXAS
ENVIADO ESPECIAL A NURBURGRING
Decepcionada com o desempenho de Rubens Barrichello nos primeiros GPs do ano, a Honda já questiona a permanência do brasileiro até o final do campeonato. Executivos da montadora em Tóquio, no Japão, pediram explicações aos dirigentes em Brackley, na Inglaterra, sobre a disparidade nos resultados de seus dois pilotos.
E, internamente, chegaram a cogitar a troca de Barrichello por Anthony Davidson, responsável pelos testes do time. Após quatro corridas, Barrichello é o 12º no campeonato, com 2 pontos.
Seu companheiro, Jenson Button, é o sexto, com 13. Mais: o brasileiro ficou atrás em todos os grids de largada até agora. Em corridas, superou Button só uma vez, na Austrália, depois de o motor do parceiro estourar a 20 metros da linha de chegada -o inglês era quinto, e Barrichello terminou a prova em sétimo. O que mais choca os japoneses são as diferenças no cronômetro. Fora Imola, onde Barrichello ficou 0s254 atrás de Button no grid, em todas as outras classificações a margem foi gritante. Na Austrália, de 4s714. Na Malásia, de 0s697.
E no Bahrein, de 1s030. A montadora esperava mais de um piloto que passou seis temporadas na Ferrari. Tanto que aceitou pagar a ele, neste primeiro ano, salário superior ao de Button, na escuderia desde 2003. O brasileiro receberá US$ 12 milhões neste Mundial, US$ 1 milhão a mais do que o parceiro. Por enquanto, Brackley vem convencendo Tóquio a manter a aposta em Barrichello.
Amigo do piloto, Gil de Ferran, diretor esportivo da equipe, tomou a dianteira na sua defesa. Diz que a má fase se deve à adaptação. O marketing é outro argumento a seu favor: a exposição da marca Honda na mídia aumentou nos últimos meses só pelo fato de contar com um ex-ferrarista. Em Nurburgring (Alemanha), onde hoje começam os treinos para o GP da Europa, Barrichello diz esperar desempenho melhor.
"Não temos muita coisa de diferente no carro em relação a Imola. A gente fez muitos acertos nos treinos de Silverstone, melhoramos nosso controle de tração, mas não vai virar da água pro vinho logo", declarou à Folha. Enquanto a Honda discute a permanência de Rubens Barrichello, sua co-irmã, a Super Aguri, dispensou o japonês Yuji Ide, 31, por deficiência técnica. O francês Franck Montagny assume.
Para todos aqueles que não acreditam que as mulheres também podem entender de automobilismo.
