





22 janeiro, 2004
A FIA manifestou-se a respeito do possível boicote das equipes durante as corridas na "temporada" européia
O presidente da FIA, Max Mosley, alertou às autoridades da União Européia (UE) que o boicote ensaiado pelas equipes de F-1 aos GPs nos países pertencentes à comunidade é sério. A razão do boicote é uma nova lei única que está para entrar em vigor em todos os países pertencentes à UE. Pelo texto, a partir de agora um país poderá requerer a prisão de qualquer cidadão que cometa irregularidades em outro país da comunidade, mesmo que neste país o ato não seja uma infração.
Na prática, para os dirigentes da F-1 a ameaça é muito simples. Na Itália se costuma processar os dirigentes das equipes em caso de acidentes na pista. O caso mais exemplar foi o longo e arrastado processo que os dirigentes da Williams sofreram da Justiça italiana após a morte de Ayrton Senna em Imola, 1994.
De acordo com o raciocínio, existe o temor de que um acidente fatal com um piloto na Espanha, por exemplo, leve os promotores italianos a pedirem a prisão e extradição dos dirigentes envolvidos para serem julgados na Itália, pois a nova Lei geral permitirá tal manobra.
Agora, os dirigentes da F-1 avisam que só vão correr nos países membros da UE se lhes forem dadas garantias que tal manobra nunca acontecerá.
"Seria ridículo, mas pelo novo sistema é possível que isto o ocorra", diz Mosley, para continuar: "É uma ameaça real, para todos. Ninguém está negando suas responsabilidades para com a segurança dos eventos, mas ninguém quer ser preso. Um juiz poderá expedir uma carta de prisão e a pessoa ser presa em um país estrangeiro. A menos que os times recebam a confirmação de que isto não ocorrerá, eles simplesmente não correrão. Eles não vão correr o risco. Eles querem saber se estes procedimentos poderão ser usados contra eles", disse Mosley.
Se de fato o boicote se confirmasse, nada menos do que oito dos 18 GPs da temporada não aconteceriam. São estes os GPs de Imola (Itália), Barcelona, Europa (Nurburgring, Alemanha), França, Inglaterra, Alemanha, Bélgica e Itália.
Para todos aqueles que não acreditam que as mulheres também podem entender de automobilismo.
